Como avaliar a deliberação online?

24 nov

Os anais do encontro deste ano da Anpocs (Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, traz o trabalho intitulado “Como avaliar a deliberação online? Um mapeamento dos critérios”, que fiz em parceria com Rafael Sampaio (UFBA) e Ricardo Morais (UBI).

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da metodologia de avaliação da deliberação online, fizemos um levantamento dos critérios utilizados nas pesquisas no campo da Deliberação Online. Para tanto, através de uma ampla revisão de literatura, foram selecionados 41 artigos que elencam os indicadores a serem medidos em discussões na internet.

O artigo pode ser baixado aqui.

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Por onde começar uma pesquisa? Ou sobre manuais de metodologia

20 nov

Começar um projeto de pesquisa quando não se tem muita experiência não é coisa fácil, seja ainda na iniciação científica, em projetos para monografias ou para as seleções de mestrado. Neste percurso, acredito que alguns manuais podem, sim, ajudar bastante. Fiz, então, uma listinha enxuta de manuais que professores e colegas sempre indicam.

1. GONSALVES, Elisa Pereira. Iniciação à Pesquisa Científica. 3ªed. Campinas/SP: Alínea, 2003.
Comentário: Nunca li, mas já dei uma olhada no sumário e uns amigos confiáveis garantiram que vale a leitura. Dizem que é sóbrio e rápido.

2. GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Comentário: A autora deste livro é muito respeitada no campo da antropologia e acho mesmo que seja um dos principais nomes da antropologia no Brasil (apesar de já ter visto ela sentada no sofá de Ana Maria Braga), mas tenho a impressão que ela tem muita vergonha deste livro. Em poucas palavras, o livro tem um bocado de comentários sobre o tudo e o nada, que pouco cumpre a promessa do título. Mas ajuda a diferenciar algumas coisas.

3. BOOTH, W.C.; COLOMB, G.G.;WILLIAMS, J.M. A arte da Pesquisa. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
Comentário: Acho que este manual pode ajudar muito. Só é preciso fazer um esforço para desconsiderar a pegada auto-ajuda e a fato de ter sido escrito em mundo sem internet. E, sim, não hesite em pular uns capítulos mais básicos.

4. ECO, Umberto. Como se faz uma tese. SP , Perspectiva.
Comentário: Este deve ser um dos livros mais citados nos capítulos de metodologia, mas duvido que seja lido na mesma proporção. Bom, é escrito por Umberto Eco. Não é muito prático, mas ajuda.

E de brinde vai o link para um manual de estilo acadêmico que ajuda muito na hora de decifrar os mistérios da ABNT:
LUBISCO, Nidia; VIEIRA, Sonia, SANTANA, Isnaia. Manual de estilo acadêmico, Edufba, Salvador.

E para motivar, digo que quanto mais problemas forem resolvidos no projeto, menos dor de cabeça se terá no andamento da pesquisa e, muito provavelmente, mais ricos serão os resultados.

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Marcos Palacios: considerações sobre o jornalismo participativo

23 out

Em entrevista à Agência Ciência e Cultura, o professor Marcos Palacios (UFBA) fala sobre o jornalismo participativo nos jornais comerciais.

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Jenkins: comunidades de marca na cultura da convergência

26 jan

Henry Jenkins, no seu Cultura da Convergência, de 2008, fala de comunidades que se formam na internet em torno do consumo de produtos midiáticos. O tema tem sido muito discutido no Brasil, por interessados de diferentes áreas, mas que tem em comum a internet. Deixo aqui algumas notas gerais da minha leitura do livro:

1. A partir da dinâmica da web 2.0, modos de consumo comunitário são potencializados com a formação de comunidades digitais, algumas das quais já nascem por iniciativa do público com objetivo declarado de ser ponto de encontro para o consumo de determinados produtos da cultura contemporânea. Organizadas pelos consumidores ou pelas próprias marcas são o que Jenkins chama de “comunidades de marcas”, onde busca-se a construção de vínculos entre os consumidores de uma determinada marca e/ou entre os consumidores e a marca.

Segundo a lógica da economia afetiva, o consumidor ideal é ativo, comprometido emocionalmente e parte de uma rede social. Ver o anúncio ou comprar um produto já não basta; a empresa convida o público para entrar na comunidade da marca (p.46-47).

2. Segundo Jenkins, estas comunidades constituem-se em um contexto de predomínio de uma cultura da convergência. O autor explica que a convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva configuram um momento historio em que as mídias passam por um movimento centrifugo, que mistura coisas que já existem, para gestar novos equipamentos e conteúdos. Para usar uma metáfora musical, a cultura da convergência produz uma remixagem.

3. O aumento da compatibilidade entre dispositivos técnicos, o emprego de diversas linguagens para contar uma história, apontam para a convergência: convergência tecnológica, de linguagens, de costumes, em suma, convergência cultural. Neste processo, a internet tem papel de destaque. Transporta conteúdos em diversas linguagens e possibilita a formação de comunidades. Comunidades, de iniciativa das marcas e produtos ou do público consumidor, nascem com objetivo declarado de ser ponto de encontro para o consumo – e as vezes, também produção – de determinados produtos.

4. Jenkins (2008) explica que com o conceito de convergência pretende referir-se ao fluxo de conteúdos por mídias variadas, à relação entre os mercados midiáticos e ao comportamento nômade dos consumidores. “Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais”. (p.27).

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Discurso da formatura em Comunicação da turma 2010.2 da Facom-UFBA

11 jan

Oi. Tive o grande prazer de ser o orador da turma 2010.2 da Facom-UFBA. E, atendendo a sugestão de um amigo, vou deixar o discurso aqui:

Saber que nesta turma de comunicólogos qualquer um poderia ocupar este púlpito aumenta em muito minha responsabilidade, mas na mesma proporção aumenta a satisfação de poder falar aos colegas, professores, amigos e familiares. Obrigado pela oportunidade!

***

Hoje é um dia solene para nós. Tornamos-nos socialmente reconhecidos como profissionais da comunicação, uns Jornalistas, outros Produtores Culturais.

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Fica a dica: Diálogo com os Filósofos

9 nov

Um blog que reúne textos sobre alguns filósofos e suas ideias.

Diálogo com os Filósofos

Nietzsche explica os homens

9 nov

Um trecho muito bom de Além do Bem e do Mal:

A diversidade dos homens se mostra não apenas na diversidade das suas tábuas de bens, isto é, no fato de que tomem bens diversos como desejáveis e que estejam em desacordo quanto ao valor maior ou menor, quanto à hierarquia dos bens reconhecidos por todos – ela se mostra mais ainda no que consideram que é ter e possuir verdadeiramente um bem. No tocante à mulher, por exemplo, o homem mais modesto acha que dispor e desfrutar sexualmente do corpo já é indício bastante e satisfatório de que a tem e possui; um outro, com uma mais exigente e desconfiada sede de posse, vê o “ponto de interrogação”, o que há de tão-só aparente nesse possuir, e quer provas mais sutis, sobretudo para saber se a mulher não só se entrega a ele, mas também renuncia, por ele, ao que tem ou gostaria de ter – apenas assim ele a tem por “possuída”. Um terceiro, porém, não se detém aí sua desconfiança e vontade de possuir, ele se pergunta se a mulher, ao renunciar a tudo por ele, não o faz talvez por um fantasma dele: deseja antes ser conhecido a fundo, em suas profundezas, para poder ser amado; ele ousa deixar-se penetrar. Só então sente ele a amada em seu poder, quando ela não mais se engana acerca dele, quando ela o ama por sua diabrura e insaciabilidade oculta, tanto quanto por sua bondade, paciência e espiritualidade.

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Anotações de Ética #9 – Santo Agostinho

9 nov

Santo Agostinho, o pecador arrependido

Verdade para ter felicidade
Dialética
Verdade é prática e não apenas teoria
A verdade de Agostinho o leva ao êxtase, ao encontro com Deus.
Deus é sopro de vida: “Deus está vivo em mim e eu não sabia”

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Anotações de Ética #8 – Epicurismo

9 nov

- Os filósofos do jardim.

Resumo do pensamento
a) a realidade é perfeitamente compreensível pelo homem;
b) o homem pode ser feliz no mundo real;
c) a felicidade é falta de dor e perturbação;
d) para ser feliz e ter paz o homem só precisa de si mesmo;
e) nem as instituições sociais, nem os deuses, servem ao homem, que é completamente autárquico.

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Anotações de Ética #7 – Estoicismo

8 nov

- Negação da transcendência
- Aceita a tripartição da filosofia em lógica, física e ética.
- a percepção do mundo depende de um consentimento, assentimento do logos.
- Há dois princípios no universo:
Ativo (Deus – razão organizadora)
Passivo (Matéria sem qualidade)

- Deus penetra todas as matérias. Está em tudo. Deus é a razão seminal do cosmo.
- Se a razão penetra tudo, tudo é como deve ser.
- Providência – todas as coisas tem uma finalidade no cosmos
- A providência é também entendida como fado e destino.
- A verdadeira liberdade do sábio consiste em conformar sua vontade com o destino.

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Anotações de Ética #6 – A revolução da ética socrática

7 nov

Sócrates, o cara.

Anotações do volume 1 (Das origens a Sócrates) de História da Filosofia Antiga, de Giovanni Reale

Palavras-chave: auto-domínio, domínio sobre a própria animalidade, autarquia, liberdade.

- Sócrates não trava da physis. Ele considerava tal pretensão impossível, ale de ser uma ofensa aos deuses, uma vez que sendo a physis obra dos deuses, a tentativa de explicá-la “diminui” a glória da atuação divina.
- Sócrates se preocupava com conhecimentos que pudessem tornar os homens excelentes.
- A ética socrática é antropológica: voltada para o homem.

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Anotações de Ética #5 – A formação do homem grego.

6 nov

Em Tróia, Brad Pitt luta pela imortalidade

Anotações feitas durante do Prof. Edson Dalmonte, na Facom-UFBA, no semestre 2010.1
- Paidéia: formação do homem grego para se tornar um homem bom.
- o ideal da educação grega é introduzir em todo homem uma idéia de beleza. Por beleza aqui entendemos beleza nas relações. Uma beleza projetada para frente.
- Desejo de morte para evitar o envelhecimento. Porém, esta não uma morte qualquer, se não uma morte heróica, de modo a garantir a imortalidade da glória (entre os homens).
- A grande luta do grego é ser imortal. Uma imortalidade na memória de sua comunidade. O ideal é viver de modo a ser lembrado por feitos heróicos.
- O cristianismo subverte esta idéia de imortalidade para a idéia de que deve-se viver humildemente para alcançar a glória dos santos na cidade celestial.
- Arete é uma idéia de nobreza da aristocracia.
- O ethos é aristotélico => aristos: melhor
- A honra, neste momento, é um fato público. Não se fala do privado, dos pequenos atos.
- Uma bela morte traz felicidade e tranqüilidade para a alma: eudaimonia.
- Eudaimonia é bom equilibro do espírito interior.
- Busca-se também a autarquia: senhorio de si.

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Biopolítica e micropolítica

21 ago

O professor José Crisostomo de Souza, da Faculdade de Filosofia da UFBA, fala sobre biopolítica e micropolítica:

via (@laiz_fraga).

Comunicação, Democracia e Cidadania

28 jun

Com a complexificação crescente das sociedades, desde a formação do estado assentado nas bases econômicas e jurídicas que conhecemos hoje, a comunicação ganha, cada vez mais, importância para o exercício da cidadania, uma vez que a esfera pública onde os cidadãos tratam das coisas que lhes são comuns torna-se mediada. O debate entre os cidadãos deixa gradativamente de acontecer nos bancos de praça e cafés, as suas opiniões passam a ser representadas em páginas de jornal, frames do cinema, ondas do rádio e, mais tarde, da TV e, desde inicio da década de 90 do século passado, na internet.

Esta mediação do debate público não-formal é vista como um problema quando as posições sociais representadas nesta esfera pública midiatizada não correspondem às forças que pulsam na sociedade. Esta dinâmica se torna de tal modo acentuada que a inexistência de representação de algo na arena midiática é quase o mesmo que a inexistência social, ou ainda, como falam os mais radicais, existindo representação nem mesmo é necessário a existência.

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Anotações de Ética #4 – Ética Platônica

28 jun

Platão aponta para cima, em recorte da famosa pintura da Rafael Sanzio: Escola de Atenas.

Notas feitas durante a leitura de História da Filosofia Antiga, de Giovanni Reale, e apartir das aulas de Comunicação e Ética, ministradas pelo Prof. Edson Dalmonte, na Facom-UFBA, no semestre 2010.1.
NOTA: As anotações que se seguem são paráfrases, condensamentos ou livre interpretação. Em momento algum, tenho a pretensão de autoria.

- Palavras-chave: dualismo alma-corpo, hierarquia de valores, prazer/hedonismo, purificação da alma, metempsicose, ascese.

- Platão avança para além de Sócrates para tentar entender o que é a vida e que é a morte. Não seria a vida uma morte, uma vez que a alma está presa ao corpo? Para responder a esta pergunta ele busca inspiração na “vida órfica” e na “vida pitagórica”.

- Por outro lado, a vida social está um caos. O justo sofre, enquanto o injusto vive bem. De que lado está a verdade? Cálicles responde: do lado do mais forte.
- A solução que Platão procura está no estudo da sorte escatológica da alma.
- Diferente de Sócrates, ele se interessa pelo estudo da imortalidade da alma. E consegue demonstrá-la racionalmente. Deste modo, o justo pode até sofrer no corpo, mas salva a alma.

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