Henry Jenkins, no seu Cultura da Convergência, de 2008, fala de comunidades que se formam na internet em torno do consumo de produtos midiáticos. O tema tem sido muito discutido no Brasil, por interessados de diferentes áreas, mas que tem em comum a internet. Deixo aqui algumas notas gerais da minha leitura do livro:
1. A partir da dinâmica da web 2.0, modos de consumo comunitário são potencializados com a formação de comunidades digitais, algumas das quais já nascem por iniciativa do público com objetivo declarado de ser ponto de encontro para o consumo de determinados produtos da cultura contemporânea. Organizadas pelos consumidores ou pelas próprias marcas são o que Jenkins chama de “comunidades de marcas”, onde busca-se a construção de vínculos entre os consumidores de uma determinada marca e/ou entre os consumidores e a marca.
Segundo a lógica da economia afetiva, o consumidor ideal é ativo, comprometido emocionalmente e parte de uma rede social. Ver o anúncio ou comprar um produto já não basta; a empresa convida o público para entrar na comunidade da marca (p.46-47).
2. Segundo Jenkins, estas comunidades constituem-se em um contexto de predomínio de uma cultura da convergência. O autor explica que a convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a inteligência coletiva configuram um momento historio em que as mídias passam por um movimento centrifugo, que mistura coisas que já existem, para gestar novos equipamentos e conteúdos. Para usar uma metáfora musical, a cultura da convergência produz uma remixagem.
3. O aumento da compatibilidade entre dispositivos técnicos, o emprego de diversas linguagens para contar uma história, apontam para a convergência: convergência tecnológica, de linguagens, de costumes, em suma, convergência cultural. Neste processo, a internet tem papel de destaque. Transporta conteúdos em diversas linguagens e possibilita a formação de comunidades. Comunidades, de iniciativa das marcas e produtos ou do público consumidor, nascem com objetivo declarado de ser ponto de encontro para o consumo – e as vezes, também produção – de determinados produtos.
4. Jenkins (2008) explica que com o conceito de convergência pretende referir-se ao fluxo de conteúdos por mídias variadas, à relação entre os mercados midiáticos e ao comportamento nômade dos consumidores. “Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais”. (p.27).